Pikí da Trilha

02/10/2011

PEDAL NA TORRADEIRA 02out2011


BAITA CICLOVIAGEM ATÉ USHUAIA


As matas, outrora habitadas somente por criaturas pré históricas dos mundo antepassado, hoje são trilhadas pelos descendentes diretos do australopitécos, dizem por aí os cientistas estudiosos da antropogênese.
O ser humano, evoluído até o estágio atual, virou esse ser precariamente pensante que deixa os rastros de sua passagem sobre o frágil planeta terra.

Nesse dia, imergimos sob o gás carbônico emitidos pela queima descontrolada dos campos, respiramos a fuligem do que antes foi viçosa mata e quase torramos nossos próprios esqueletos na chama criminosa ateada pela mão grande da ganância descomedida.

Era ainda hora primeira e a velocidade já fazia voar os pelos saídos do nariz. O relevo multifacetado fazia o cérebro trabalhar no envio de comandos que movimentavam todas as extensões do corpo para ajustar a linha do equilíbrio que nos impulsiona à frente.

Marceleza, Olivier, Senna, Júnior e Piki despencaram vale abaixo passando pelo escorregadio cascalho devastador das quinas corporais. À sua frente, cenário do que foi antes viço luxuriante.
Os riscados trilhos por onde correm as rodeiras do descobrimento estavam com as bordas peladas pois foram lambidas pelo abraço fatal da labareda radioativa.
Desviamos pelo canto direito e socamos pemba pelo caminho que se contorcia por entre mata que foi se desenvolvendo até nos tampar de vez, sombreando nosso caminho com as ricas bênçãos do refrescamento umidificado.

Voamos pelo rasgo do talhão e fomos recebidos pelo leito do riacho refrigerado que aliviou nossas ensebadas canelas.
Essa viagem nos transportou da aridez total até o berço de onde brota vida.
Pássaros cantarolantes saboreavam seus insetos recém caçados enquanto lagartixas, cobras d'água e sucuris aguardavam ansiosas pela engorda de seus pitéis.

Penetramos por via desconhecida até o perdimento completo, trabalhando apenas com alguns parcos dados da bússola cerebral.

Realizamos ritornelo ao estribilho original para dar prosseguimento consequente que nos elevou até o paredão onde se experimenta o aguilhão do ácido lático.
A cadência compassada de cada pernada foi molhada pelos suores escorrentes que jorraram em cachoeiras pelas frestas de suas nascentes.

Após enorme subição, avistou-se o elo desconhecido que nos levou até às chamas do fogo incandescente. Seria esse o dia em que enfrentaríamos as chamuscosas línguas do fogo devastador?
Realizou-se reunião avaliativa das periculosidades envolvidas e se fez partilha antecipada dos espólios envolvidos caso não existisse sucesso possível no tenebroso empreendimento.
O calor abrasador atravessava os panos e se introduzia forte através da frágil proteção epidérmica, e foi preciso avançar vencendo as angústias do medo paralisador.

Sucesso!
Atravessamos a parede pirotécnica e sentimos o poder de suas garras que tentavam nos tragar sugando até os sucos molhadores das esferas oculares.
Não satisfeito, o fogo deu a volta e tentou nos cercar, mas agora nos emparedando no subidão.
O negrume avançava e fomos ao seu encontro até ultrapassar o ardor abrasador. Como sofreu Joana Darc...
Agora, o que nos envolvia era o bafo esfumaçado de seu calor, que sufocava estrangulando traquéia e pulmões.
Respirar se tornou difícil e não existia saída possível. A solução foi acelerar a tocada, mesmo engasgados, até à curva do vento respirador, que jogou a fumaça de lado e nos salvou da esturricada queimação.

No fragor da dura luta, a sapatilha esfarrada do SennaKombat se desfez sob seus pés, deixando a pelúcia de suas solas expostas ao acalorante cascalho recém queimado.

Enquanto a vida progridiu pelo caminho da infinita reciclagem, fomos transformando nossas percepções pelas vias do
decorrimento progressivo, entendendo aos poucos que o encerramento nem sempre é o fim, mas apenas o começo da próxima continuação...

Inté!

PikiDaTrilha MuntaBiki Offi Roiadi