Pikí da Trilha

06/12/2011

JACATRACK 04dez2011



Foi bisbilhotando pelas libertárias vias do sonho eterno que visualizaram aprazível percebimento escondido sob os galhos do denso arvoredo.

A manhã enevoada quis mangar dos viajantes, fingido ser tempo outro o que outro haveria de ser. Mas depois de lá pras tantas, ficou desavergonhada e foi mostrando as outras de suas caras.

Os convergentes pedalantes reunidos mastigaram seus montes de patavinas pra fazer forramento que desse conta da labuta bicicleteira.
Destroçados os paradigmáticos obstáculos padronizados, adentraram invadimento por caminho erroso por onde lambuzantes gados cagadeiros perambulavam suas panças empanzinadas.
Matilhas de insetos parasitórios se misturavam ao enxame de cães ladrosos loucos para perseguirem canelas suculentas, e velocidade zuadeira foi necessária ser alta até ponto de levantar poeirão na lama e rachar tora nos peitos.

As cavidades narigais sugaram vento forte e deu-se pedalada avante nos descobrimentos novos que se fariam, pois deslumbração pelo achamento do ignorado se via no aposmente de cada curva.

Se manifestou o encosto da canseira nas subidonas inacabáveis, e vontade foi é muita de fazer paramento descansativo ou mesmo retornatório, mas depois de dar começo é de bom fazer continuar sem ser rixoso.

Depois de babar canseira, os viventes encontraram tartaruga estacionada com cupinzeiro nas costas, e aproveitaram o murundum de sua carapaça para fazer avistamento do que se veria adiante.

Lá pras tantas do relógio, se ouviu chiado caindo de trombada pelos troncos, e caiu foi muita água explodida nas folhas fazendo fumaça igual a cachoeira na ventania.
Os couros já molhados nem fizeram conta de mais gole d'água, e as rodeira jogaram nos lombos as pastas mexidas na trilha do amassa barro.

Encontraram, no lá encima de algum morro encravado em algum lugar, o ninho do urubu travoso que contava causos mentirosos para o vizinho carcará, que nem prestando atenção lambiscava as tripas podres de um falecido boi tatá.
Aproveitando cena que sucedia, capturou-se chapa paralisante do movimento que fazia, e se içou pras prateleiras da cachola os idílicos momentos que causam euforia.

Foi-se o bonde sem fumaça trotando liso pelo matagal, sabendo que essa coisa de viver é risco certo que provoca desassossego, mas quem muito se assossegou é porque já se danou debaixo de sete palmos de terra.

Fizeram cara de feiúra e tocaram pé na causa espremendo água pelas fissuras, atravancando o passo da lerdeza passando-lhe rasteira que fez pipocar cavaco. Aceleraram perigo sacudido que tremelicou a curva de chão batido, e mergulharam no poção lavado que faz ficar pra traz todas as lembranças dos desiludidos.

Pararam no cheiro da jaca mole e da manga doce. Foi sofrimento pra chegar ali, mas, depois de fornir os potes, as bochechas puxaram as cortinas pros dentes fazerem a alegria reaparecer.

Viver é bom que dói e, se não doer, é sinal de moleza muita, de paração estagnatória moribunda.
Arranjaram trabalho bom, daqueles que se paga pra fazer. Coisa de sofrimento que rasga o bucho e expõe a crueza dos fatos, de mão calejada, carne tremida e pé pronto pras estradas de outras muitas pedalações.

Inté!

PikiDaTrilha MuntaBiki Offi Roiadi